segunda-feira, 12 de junho de 2017

Ausência

Ausência de dor, ausência de lágrimas, ausência de sentimentos, ausência de vida, ausência até da morte. Um grande vazio que já declarou guerra pra preencher esse interior teimoso que teima em conhecer um novo dia, um novo amanhã. Ainda há dúvidas sobre o que segura esse íntimo na luta, mas é quase certeza que o amor é um dos principais catalisadores de vontade de ficar e vontade de ir. Tudo muito intenso, muito confuso, enrolado, perdido em milhões de palavras e sentimentos. Enrolado nas próprias vontades, nos próprios prazeres. A ausência da solidão, a ausência da companhia, a ausência de dor, a ausência de paciência, a falta de vontade de aproveitar cada detalhe do dia. Bendita seja a curiosidade que teima em saber o que vem pela frente, bendita seja ela que alimenta a chama dessa fuck life. Hoje, a vida está estranhamente em slow-motion, o cheiro está diferente, os toques estão menos sensíveis, está faltando algo... A ausência de tudo está começando a dominar novamente... Silêncio, os barulhos se arrastam, viram ecos, as visões se nublam e viram desfoques, as cores perdem o sentido. A irritação toma conta, e volta tudo mais ativo, mil vezes mais barulhento e incômodo. Mas, que rotina desgraçada, que angústia, resume-se a isso. Uma dor atrás da outra, uma ausência atrás da outra. Trezentos e sessenta graus. Só. Tudo...

terça-feira, 11 de abril de 2017

Inspiração

Vamos falar sobre bullying?

Eu, agora, com 27 anos, depois de ter visto alguns episodios de 13 reasons why, confesso que não consigo terminar essa série como a maioria das pessoas encara uma maratona de séries. Não consigo porque essa série é verídica sobre algumas partes da minha vida. Sim, hoje posso não ser mais aquela inocente que sofreu tudo aquilo mas eu ainda queria ter aquela inocência, aquela onde o mundo não é maldoso. Eu ainda enxergo o mundo em cores, ainda enxergo o perdão e o amor nas pessoas. Sou daquele tipo que o olho se enche de lágrima ao ver uma declaração de amor alheia. Eu tento ver tudo do modo mais colorido e bonito possível. Por pouco, o bullying não destruiu tudo isso de mim. Sim, já pensei em suicídio, diversas vezes. Até nas brincadeiras mais inocentes da infância, eu me machucava de algum modo pra sentir alguma coisa. Acho que até hoje faço isso, por meio de decepções, de amizades interesseiras, de namoros mal acabados. Eu sempre procuro por alguma dor, mas não porque gosto de sofrer, mas as vezes para apenas sentir algo. Eu tenho fases em que meu coração explode de amor, de cuidado, de música, do azul do céu, mas de repente vem aquele vazio mas um vazio tão profundo em que me sinto vulnerável e me sinto nas cenas desse seriado onde a maioria das coisas aconteceram de fato comigo onde a vida não bastava pra mim. A maioria não deve saber o que é pedir por favor pra alguém sair e te fazer companhia... A maioria não sabe o que é chegar em um lugar amontoado de gente e todo mundo te tratar como um rato. A maioria não sabe o que é dar o melhor de si e ter o seu íntimo revelado em meio a uma sala de aula. Eu sei que algumas pessoas podem ler isso e se incomodar, mas sim, isso convive comigo até hoje, e isso faz parte de mim! É culpa, sim, mas não por isso decidi tirar minha vida. Pensei seriamente sobre isso algumas vezes. Causei muitas dores a mim mesma, e até hoje isso é uma luta. E toda vez que me critico, lembro daquela menininha indefesa que mal entendia o mundo e queria acreditar que alguém, além da familia, iria aceitar ela. E tento de algum jeito me manter positiva, pois em algum universo paralelo aquela menina está crescendo e precisa de um incentivo, precisa de uma força na vida, precisa acreditar que o mundo pode ser bom, igual eu tive que acreditar na marra. Não é fácil chegar aqui como eu cheguei, não mesmo! Às vezes, só a família basta pra te salvar, sim! E foi isso que aconteceu comigo! Por amor à minha avó, aos meus pais, à minha família, eu sobrevivi e me dei uma chance e me descobri melhor que nunca. Sempre vivi desafios desde os meus dois anos, e nunca mais parei. Quem diria eu? Com 75% de perda auditiva, graduada em Comunicação, com duas pós, que já saiu de casa diversas vezes pra se aventurar em outra cidade. Lembre-se: sou uma exceção, pois eu poderia ser mais um túmulo por causa desse bullying. então tome cuidado. Às vezes as pessoas não são fortes o suficiente sozinhas. O suicídio é bem mais fácil do que esperar a vida melhorar pra te dar aquela auto estima que você precisa. Eu poderia relatar vários e vários momentos que passei que são bem parecidos com o da Hannah Baker da série. Tudo bem que é só um personagem, mas é real, e isso acontece muito. Eu sou uma exceção. Mas confesso: já corri pra frente de um carro, já fiquei em um penhasco, já tomei muitos e muitos remédios pra acontecer algo. Ainda tenho esse sofrimento aqui dentro de mim, mas sei que a vida vale mais. Mas às vezes parece ser muito mais fácil desistir. Tenho tudo agora, tudo mesmo mas fico pensando: e se tudo desmoronar? Será que eu aguento mais uma nova etapa. Eu aprendi a superar mas não sei se aprendi a me superar. E por culpa de todo meu passado, não por mim mas pelos outros que não me deram valor. Sei que só eu deveria fazer isso mas e quando você cresce com o mundo todo te desprezando? O que você faz? Tenta viver, né. É dificil pra caralho mas estamos tentando.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Tarde

Durante o dia, penso nela várias vezes, algumas vezes me dá paz, outras vezes me dá um formigamento, e outras vezes meu coração quer explodir de sorrisos, de vontade de ficar perto dela. Só que tem aquelas raras vezes que penso nela e vem uma tormenta, e aquela sensação de permitir que ela entre em minha vida e tenha o poder de levantar ou derrubar tudo. E isso me tira a paz, me dá momentos de delírios, e loucura. A respiração fica entalada na garganta, sinto como se voltasse no tempo e me perdesse. Todo aquele tesão se perde em meio ao medo. As entranhas ganham vida e parecem querer sair de mim como vermes. Essa ansiedade é uma filha-da-puta maldita, igual aquela minha ex, que era sim, a personificação dessa porra toda. Desculpa meu linguajar mas quanto mais me reservo a me definir em palavras bonitinhos, mais eu sofro e sinto que estou presa em um labirinto com diversos cantos onde sempre dou de cara com uma parede, e a minha raiva aumenta com aquela vontade de fechar o punho e socar algo duro, pra ver se sai o sangue, pra ver se os dedos incham e ficam roxos, pra aliviar essa dor imensurável aqui dentro. Poderia morder o lábio machucado até sangrar, poderia mandar todo mundo pra puta que pariu. E, eu, idiota, fui ver fotos de outra ex, pra matar a minha curiosidade, essa merda de carência que quer saber como estão as mesmas pessoas que machucaram o meu coração. É como se eu gostasse da dor, gostasse de sofrer, como se o sofrimento e a tristeza fossem a minha anestesia. E sei que gosto dessa raiva, gosto dela fora de mim. Não sei se faz sentido, não vou reler tudo pra saber se tem algum contexto. Talvez eu volte daqui uns dias, ou umas semanas pra reler e entender.

Daniela M.